Artigo escrito por María Del Carmen Doyharzábal em 28 de setembro de 2023.
O Mito da Correspondência entre a Letra “F” e o Corpo Humano
Você sabia…
Que René Resten nunca atribuiu o esquema corporal à letra f?

Muitos anos atrás, lá pelo ano de 2007, devido a uma discussão que havia surgido em uma lista de grafologia inglesa, um colega canadense me consultou a respeito do conhecido esquema da letra f e sua correspondência com o esquema corporal, que circulava havia alguns anos e era atribuído a René Resten. Esse colega — que possui uma das bibliotecas mais completas do mundo — estava perplexo, pois não conseguia encontrar entre seus volumes nada que comprovasse tal origem.
Respondi-lhe que não iria encontrá-lo, porque ele nunca existiu, já que René Resten jamais havia formulado tal esquema.
O certo é que essa imagem da letra “f” — “fa” — e o esquema corporal aparecem no livro de Pedro Foglia “Signos de la enfermedad en la escritura” – 1991, Capítulo III: pág. 68; 70; 71.
Referindo-se a essa imagem, Foglia expressa na pág. 69, sob o título “Relação entre zonas gráficas e esquema corporal”: O conjunto tenta descrever a correspondência que se estabelece entre a letra minúscula ‘f’ (minúscula cursiva), escolhida por ser a única do alfabeto que abrange as três zonas gráficas, e sua relação corporal. E acrescenta uma nota de rodapé que diz: (“Las zonas patológicas”, Dr. Resten. “La selección de Personal”, Prof. Augusto Vels).
Daí que, atualmente, muitos acreditam equivocadamente que René Resten disse que a letra “f” era a letra que deveria ser usada para identificar afecções orgânicas, quando a verdade é que Resten nunca disse isso.
Resten, em “Les écritures pathologiques” – 1949, determina quais zonas de hastes superiores, hastes inferiores e corpo das letras correspondem a alguns órgãos, e aponta, por exemplo, as letras com laço na haste superior (l, b, etc.) como letras respiratórias.
Essa confusão, com o uso da letra “f”, começa com A. Vels, quando em La selección de personal y el problema humano en las empresas, edição de 1970, inclui uma imagem com a letra “f” e a letra “a” formando a palavra “fa” para dar um exemplo de zona superior, média, inferior, inicial e final, e diz: “Esta topografia dos órgãos está indicada na figura 1”. (A figura 1 é a letra “f” e a letra “a” formando a sílaba “fa”).

Faz o mesmo em Escritura y personalidad – 1975, no capítulo “Lo normal y lo patológico en el grafismo” [“O normal e o patológico no grafismo”], onde apresenta esse esquema “fa” como exemplo para mostrar as síndromes patológicas em correlação com as zonas, mencionando Resten.
A essa letra “f” — “fa”, usada por Vels para indicar a zona superior, média e inferior, Foglia acrescenta em seu livro o desenho do corpo humano, e assim se chega à imagem que muitos atribuem a Resten.
E é assim que, ainda hoje, devido a uma confusão, muitos chamam essa imagem “fa” de “esquema corporal de Resten” e acreditam que foi ele quem a propôs.
Visitem o site www.grafopatologia.com de María del Carmen Doyharzábal, excelente grafóloga da Argentina.

